Zoroastro não se tornou um gigante no setor de beneficiamento de arroz por acaso. Além da visão empreendedora, ele tinha a alma e o talento de um exímio vendedor.
Quando ele assumiu o setor comercial e de publicidade do Jornal Jovem, a publicação mudou de patamar: todas as edições passaram a fechar no azul. Com a integração do jornal ao Centro Cívico, usámos esses lucros para transformar a estrutura da escola, investindo no sistema de som do pátio, em um conjunto de bandeiras estaduais e em novos instrumentos para a fanfarra.
O desafio maior veio quando planejamos uma edição especial de 16 páginas para comemorar o primeiro aniversário do JoJo. Os custos dispararam, mas Zoroastro cravou com tranquilidade: "Deixa comigo".
Fomos atrás do empresário José Benedito, pai do Netão, buscando um anúncio especial e mais caro. Experiente, ele nos lançou uma provocação para escapar do compromisso: "Faço o seguinte: anuncio o dobro do que o meu amigo Alécio fechar". O problema é que o Alécio, dono de um negócio de enorme sucesso em Itapira, tinha a fama de nunca gastar um tostão com propaganda paga.
Abalado, comentei com o Zoroastro: "Sabe quando vamos arrancar um anúncio do Alécio? Nunca!". Com sua calma habitual, ele apenas sorriu: "Pode deixar, eu cuido disso".
E cuidou. Na edição comemorativa de outubro de 1973, o JoJo estampou meia página do Café Primavera e uma página inteira do Expresso Cristália.
Por Nino