O IEEESO precisava com urgência de um novo conjunto de bandeiras dos estados e territórios brasileiros para o desfile de 7 de setembro de 1973. O pavilhão antigo estava caindo aos pedaços. Como nosso Centro Cívico tinha caixa — éramos talvez os únicos com arrecadação própria na região —, assumimos a compra. Eu, Zoroastro e o Carlinhos (se a memória não me falha) fomos a São Paulo conhecer o fornecedor e encomendar o material a tempo da celebração.
Faltando poucos dias para o desfile, nada das bandeiras. Depois de dezenas de telefonemas pressionando a empresa, recebemos a luz verde no início da tarde do dia 6 de setembro: a encomenda estava pronta para retirada. Como os outros não podiam ir, convoquei o Guega e fechamos a empreitada. Alinhamos tudo com o Netão, que aprovou as despesas em nome do Centro Cívico.
Saímos rumo a Campinas às 18h, já que não havia linha direta para São Paulo naquele horário.
Em Campinas, a rodoviária estava lotada. Conseguimos, no sufoco, um lugar em um ônibus extra da Cometa e desembarcamos na Rodoviária da Luz por volta das 22h, em meio à agitação costumeira de uma véspera de feriado.
(O que aconteceu a partir daqui beira o inacreditável. Se o Guega não estivesse comigo para comprovar, diriam que é história inventada.)
A fila de táxi parecia não ter fim. O endereço da retirada era na Rua Benjamin Constant, no Centro, mas tínhamos também o endereço residencial do fornecedor, na Amaral Gurgel. Foi quando avistei um Opala na fila de embarque. O motorista trocou um olhar conosco e senti boa vibração. Saí da fila e fiz a proposta:
— Somos de Itapira, a 150 km daqui. Viemos buscar uma encomenda na Sé. Se o pacote estiver lá, você fecha uma corrida para nos levar de volta até a nossa cidade? Se não estiver, nos deixa aqui mesmo.
Se desse errado, o plano B meu e do Guega era pernoitar nos bancos da rodoviária. Para nosso espanto, o taxista aceitou imediatamente. Deu a volta e nos apanhou mais adiante.
Chegando à Benjamin Constant, o prédio estava no breu. Batemos, tocamos a campainha e nada. Corremos para a Amaral Gurgel e conseguimos falar com o fornecedor em seu apartamento. Ele garantiu que o pacote estava pronto e nos mandou retornar à Sé. Desta vez, o porteiro atendeu e nos entregou o volume. Alívio total. Olhei para o motorista e cravei:
— Rumo a Itapira!
Estrada livre, desembarcamos na cidade às 3h da madrugada. Deixamos as bandeiras com o porteiro da escola com a recomendação expressa de entregar à diretoria no primeiro horário. Depois, fomos à casa do Netão, na Rua Campos Salles. Ainda de pijama, pela janela de casa, ele acertou a corrida com o taxista. Eu e o Guega fomos capotar na cama e não fomos ao desfile. A missão foi cumprida, embora nem tenhamos visto as novas bandeiras desfilarem.
Por Nino