Além de presidir o Centro Cívico, Netão havia assumido a fanfarra do IEEESO. Naquela tarde, eu e Zoroastro fomos ao campo de futebol da escola para falar com ele durante o ensaio.
Enquanto aguardávamos uma pausa, a bagunça de alguns alunos chamou nossa atenção. Zoroastro me encarou: — O Netão precisa de ajuda. Vamos encarar? — Se ele quiser, topo.
Assim que os instrumentos silenciaram, resolvemos o tema da visita e pontuamos o caos que assistíamos da arquibancada. — O que posso fazer? Meu negócio é o toque, não a disciplina — desabafou Netão.
O diagnóstico estava feito. Propusemos assumir a ordem e ele aceitou na hora. Para fazer valer, fomos direto à diretoria falar com o Sr. Sillas. A proposta era simples: assumiríamos o controle, desde que tivéssemos carta branca. Sem interferências. Autorização concedida, voltamos ao Netão para alinhar a estratégia.
No primeiro ensaio sob nova direção, mandamos o recado: Netão regia a música, nós regíamos a disciplina.
Não demorou. Um aluno estourou o couro do fuzileiro — e deu para ver de longe que foi de propósito. Expulsão imediata. Houve choro e apelo, mas não voltamos atrás. Minutos depois, outro repetiu a manobra e também dançou. A reação veio em cadeia: em protesto, quase metade da fanfarra pediu para sair e alguns sumiram com os instrumentos.
Sem hesitar, lançamos uma convocação para as turmas de 5ª a 8ª série. Para repor os instrumentos levados, sacamos o caixa do Centro Cívico (nutrido pelas propagandas e vendas do jornal Jojo). A indústria Irmãos Nogueira ainda nos salvou cedendo caminhonete e motorista para buscar as peças novas em Diadema.
O prazo era apertado. Netão deu o seu melhor com a garotada nova e, se o desfile não foi perfeito na técnica, entrou para a história na organização. Deixamos o terreno pronto e disciplinado para os anos seguintes.
Por Nino